CEM

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Assinatura da constituição da CEM (1972)

Como resultado deste estudo, constituiu-se uma nova empresa concessionária, a Companhia de Electricidade de Macau (CEM), uma sociedade anónima com um capital social de 20 milhões de patacas, sendo accionistas a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) (seis milhões de patacas), o Governo do Território (seis milhões de patacas), o Leal Senado (cerca de dois milhões), o BNU (cerca de dois milhões) e ainda a Macau Canidrome Company, a Sociedade da Pelota Basca e a Sociedade Won Ho (um milhão de patacas cada). 


 

Silencers and Exhausts for engines number 9, 10, 11, 12 and 14

Parece não restarem dúvidas de que a CEM foi muito esperada e muito desejada. O público, já tão saturado da MELCO, não hesitou em receber de braços abertos a nova companhia concessionária, apoiando-a incondicionalmente, nos primeiros tempos, mesmo quando começaram a surgir os primeiros problemas, sempre convencido de que a CEM, em questão de tempo apenas, iria finalmente resolver o problema da electricidade. Mas com a revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, e os seus reflexos em Macau (agravados pela crise do petróleo), que incluíram a substituição do Governador, o programa de recuperação da CEM não pôde ser levado por diante, como planeado. Por exemplo, as obras de construção da Central de Coloane, um dos mais vultosos empreendimentos da época, atrasaram-se a tal ponto que foi necessário pagar compensações às empresas japonesas envolvidas no projecto. Por outro lado, protestos contra aumentos de tarifas levaram a que muitos consumidores deixassem de pagar as suas contas durante meses, elevando-se a dívida correspondente a vários milhões de patacas. 

A CEM e a electricidade passaram a ser conhecidas na imprensa portuguesa como «o problema número um de Macau». E a situação financeira e técnica da CEM continuou a degradar-se nos anos seguintes, e nem mesmo a conclusão das obras da nova Central de Coloane resolveu os problemas.

Até que, em Agosto de 1979, Melo Egídio determinou que a exploração do serviço público de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica, outorgada à CEM, passasse a ser assegurada directamente pelo Governo.

Motores número 1 e 2. Motor número 4.

 

Redes de alta tensão entre a China e Macau.

Em 1981, Macau mudou outra vez de Governador e recebeu, em princípios de Julho, o comandante Vasco de Almeida e Costa. Em Fevereiro de 1982, tomaram posse os novos membros da comissão administrativa da CEM, que passou a ser composta pelos engenheiros Amílcar Martins, Rui Neves e Tavares Pires e pelo economista Carlos Reis. A primeira preocupação da nova equipa de gestão da CEM foi fazer o levantamento da situação em que se encontrava a empresa, do que resultou a apresentação ao Governo, dois meses depois, de um primeiro memorando, em que se denunciava a existência de uma «situação degradada». Os novos gestores apontaram o facto de os grupos geradores existentes na Central de Macau, instalados entre 1959 e 1971, apresentarem consumos específicos e custos de manutenção elevadíssimos, com a agravante de as peças sobressalentes serem cada vez mais difíceis de encontrar no mercado, devido à antiguidade dos grupos.

Mas enquanto ia propondo medidas de fundo, a nova equipa dirigente da CEM procedia a combates mais imediatos. Um deles foi a campanha que promoveu contra os roubos de energia e as cobranças atrasadas. Primeiro, foram colados cartazes pela rua e difundidos anúncios pela rádio, procurando sensibilizar os consumidores. Em seguida, começaram a ser aplicadas, sem hesitação, sanções contra os prevaricadores. Finalmente, foi anunciada uma trégua e dado um prazo de um mês para que os consumidores regularizassem a sua situação. Nesse período formaram-se longas filas de pessoas, que queriam pagar o que deviam. A mensagem tinha sido compreendida... O resultado de tudo isso foi que 80 por cento dos consumidores regularizaram a sua situação e, em apenas mês e meio, foram recolhidos 30 milhões de patacas em cobranças atrasadas.

Vista do depósito da Central eléctrica de Macau. Subestação Norte de Macau.

Em Novembro de 1983, Almeida e Costa voltou ao plenário da Assembleia Legislativa com uma nova comunicação, em que defendeu a transformação da CEM numa empresa de capitais mistos e, em Junho do ano seguinte, foi assinado entre o Território, a CEM e a STDM, um contrato-programa visando a viabilização da empresa. No mesmo mês Almeida e Costa aprovou a redução das tarifas de electricidade em 6,5% e foi publicado um decreto-lei, pondo termo à intervenção do Governo na CEM, e os accionistas da empresa elegeram, em assembleia geral extraordinária, os novos corpos gerentes. Finalmente, foi concretizada a interligação com a rede eléctrica da província de Guangdong, cerca de dois anos após a assinatura do acordo correspondente.


 

Silenciadores e exaustores dos motores números 1, 2, 3, 4 e 6. Vista parcial da "Casa Ross" onde está localizado presentemente o edifício CEM Aspecto exterior do edifício CEM (Estrada D. Maria II)

Em Maio de 1987, entrou em serviço o Grupo 3 da Central de Coloane, com uma potência de 24 MW. Tratou-se da primeira unidade de uma nova tecnologia, os grupos Diesel lentos, de alta fiabilidade e rendimento elevado. De acordo com os responsáveis da CEM «esta opção revelou-se extremamente positiva para o futuro da empresa, na medida em que os ganhos de produtividade obtidos na produção permitiram estabilizar as tarifas». Nos anos seguintes, novos grupos Diesel lentos foram sucessivamente instalados: o Grupo 4, também de 24 MW, em 1988, e os Grupos 5 e 6, ambos de 37.5 MW, em 1991 e 1992, outros dois de 53 MW, em 1995 e 1996, respectivamente. Também em 1987 ficou completada a rede básica de subestações, com entrada em funcionamento das de S. Paulo e D. Maria e, no final do ano, os serviços da empresa foram transferidos para o novo Edifício CEM, contíguo à Central de Macau, situado na Estrada D. Maria II.

Simbolicamente a CEM fazia assim um retorno às origens ao transferir a sua sede para o local onde tudo tinha começado, cerca de 80 anos atrás, isto é, onde, pela primeira vez se começou a produzir energia eléctrica para a cidade de Macau.


Central de Coloane da CEM

Engine room of Coloane Power Station

 

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