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1972 – 1989
Como resultado deste estudo, constituiu-se uma nova empresa
concessionária, a Companhia de Electricidade de Macau
– CEM, S.A.R.L. (CEM), uma sociedade anónima com
um capital social de 20 milhões de patacas, sendo accionistas
a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) (seis
milhões de patacas), o Governo do Território (seis
milhões de patacas), o Leal Senado (cerca de dois milhões),
o BNU (cerca de dois milhões) e ainda a Macau Canidrome
Company, a Sociedade da Pelota Basca e a Sociedade Won Ho (um
milhão de patacas cada).
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| Assinatura
da constituição da CEM (1972) |
Parece não restarem dúvidas de que a CEM foi
muito esperada e muito desejada. O público, já
tão saturado da MELCO, não hesitou em receber
de braços abertos a nova companhia concessionária,
apoiando-a incondicionalmente, nos primeiros tempos, mesmo quando
começaram a surgir os primeiros problemas, sempre convencido
de que a CEM, em questão de tempo apenas, iria finalmente
resolver o problema da electricidade.
Mas com a revolução de 25 de Abril de 1974 em
Portugal e os seus reflexos em Macau (agravados pela crise do
petróleo), que incluíram a substituição
do Governador, o programa de recuperação da CEM
não pôde ser levado por diante como planeado. Por
exemplo, as obras de construção da Central de
Coloane, um dos mais vultosos empreendimentos da época,
atrasaram-se a tal ponto que foi necessário pagar compensações
às empresas Japonesas envolvidas no projecto. Por outro
lado, protestos contra aumentos de tarifas levaram a que muitos
clientes deixassem de pagar as suas facturas durante meses,
elevando-se a dívida correspondente a vários milhões
de patacas.
A CEM e a electricidade passaram a ser conhecidas na imprensa
Portuguesa como «o problema número um de Macau».
E a situação financeira e técnica da CEM
continuou a degradar-se nos anos seguintes e nem mesmo a conclusão
das obras da nova Central de Coloane resolveu os problemas.
Até que, em Agosto de 1979, Melo Egídio determinou
que a exploração do serviço público
de produção, transporte e distribuição
de energia eléctrica, outorgada à CEM, passasse
a ser assegurada directamente pelo Governo.
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| Aspecto
exterior do edifício CEM (Estrada D. Maria II) |
Em 1981, Macau mudou outra vez de Governador e recebeu, em
princípios de Julho, o Comandante Vasco de Almeida e
Costa. Em Fevereiro de 1982, tomaram posse os novos membros
da Comissão Administrativa da CEM, que passou a ser composta
pelos engenheiros Amílcar Martins, Rui Neves e Tavares
Pires e pelo economista Carlos Reis. A primeira preocupação
da nova equipa de gestão da CEM foi fazer o levantamento
da situação em que se encontrava a empresa, do
que resultou a apresentação ao Governo, dois meses
depois, de um primeiro memorando, em que se denunciava a existência
de uma «situação degradada». Os novos
gestores apontaram o facto de os grupos geradores existentes
na Central de Macau, instalados entre 1959 e 1971, apresentarem
consumos específicos e custos de manutenção
elevadíssimos, com a agravante de as peças sobressalentes
serem cada vez mais difíceis de encontrar no mercado,
devido à antiguidade dos grupos.
Quanto à rede eléctrica o relatório referia-se
à distorção resultante do facto de toda
a cidade de Macau ser, naquela altura, abastecida de um único
ponto, situado numa das extremidades da península (no
mesmo local onde Marius Bert e Ricou tinham instalado a primeira
Fábrica de Energia Eléctrica, 70 anos antes),
o que tinha como consequência imediata a necessidade de
maiores investimentos em cabos e também maiores perdas
na rede. O sistema tarifário, segundo os gestores, não
apresentava qualquer correspondência com a estrutura de
custos da CEM.
Em Junho de 1982, Almeida e Costa fez – com base no mesmo
relatório – uma extensa comunicação
à Assembleia Legislativa, cujo tópico principal
era a CEM. Considerando a situação existente de
grande gravidade, o Governador declarou-se firmemente determinado
a mobilizar «as energias e os meios» para a ultrapassar.
Mas enquanto ia propondo medidas de fundo, a nova equipa dirigente
da CEM procedia a combates mais imediatos. Um deles foi a campanha
que promoveu contra os roubos de energia e as cobranças
atrasadas. Primeiro foram colados cartazes pela rua e difundidos
anúncios pela rádio, procurando sensibilizar os
clientes. Em seguida, começaram a ser aplicadas, sem
hesitação, sanções contra os prevaricadores.
Finalmente, foi anunciada uma trégua e dado um prazo
de um mês para que os clientes regularizassem a sua situação.
Nesse período formaram-se longas filas de pessoas, que
queriam pagar o que deviam. A mensagem tinha sido compreendida...
O resultado de tudo isso foi que 80 por cento dos clientes regularizaram
a sua situação e, em apenas mês e meio,
foram recolhidos 30 milhões de patacas em cobranças
atrasadas.
Em Novembro de 1983, Almeida e Costa voltou ao plenário
da Assembleia Legislativa com uma nova comunicação,
em que defendeu a transformação da CEM numa empresa
de capitais mistos e, em Junho do ano seguinte, foi assinado
entre o Território, a CEM e a STDM, um contrato-programa
visando a viabilização da empresa. No mesmo mês
Almeida e Costa aprovou a redução das tarifas
de electricidade em 6,5% e foi publicado um decreto-lei pondo
termo à intervenção do Governo na CEM e
os accionistas da empresa elegeram, em Assembleia Geral extraordinária,
os novos corpos gerentes. Finalmente, foi concretizada a interligação
com a rede eléctrica da província de Cantão,
cerca de dois anos após a assinatura do acordo correspondente.

Central de Coloane da CEM
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Os resultados não tardaram a surgir. Em 1984, pela primeira
vez na história da empresa, a CEM apresentou lucros no
final do exercício e o relatório do Conselho de
Administração afirmava que «do ponto de
vista financeiro, a CEM encontra-se hoje em condições
de fazer face às suas responsabilidades».
Os anos seguintes confirmaram aquilo em que, a princípio,
ninguém acreditava. Que o chamado «cancro»
do Território (outra expressão por que era conhecida
a CEM), que absorvia uma parte significativa do erário
público, esse mal que, apesar das esperanças cíclicas,
teimava em persistir, tinha pura e simplesmente deixado de existir.
A viabilidade tornara-se uma realidade. Por isso, os anos mais
recentes da história da CEM são preenchidos com
passos que visam mais o crescimento e modernização
da empresa do que, como no passado, a resolução
de problemas. A partir de 1 de Janeiro de 1987 foi instituído
um sistema de pensões de reforma para os trabalhadores
da concessionária, o que constituiu uma verdadeira inovação
entre as empresas privadas de Macau.
Em Maio entrou em serviço o Grupo 3 da Central Térmica
de Coloane A (C
CA), com uma potência de 24 MW. Tratou-se da primeira
unidade de uma nova tecnologia, os grupos Diesel lentos, de
alta fiabilidade e rendimento elevado. De acordo com os responsáveis
da CEM «esta opção revelou-se extremamente
positiva para o futuro da empresa, na medida em que os ganhos
de produtividade obtidos na produção permitiram
estabilizar as tarifas». Nos anos seguintes, novos grupos
Diesel lentos foram sucessivamente instalados: o Grupo 4, também
de 24 MW, em 1988, e os Grupos 5 e 6, ambos de 37.5 MW, em 1991
e 1992, outros dois de 53 MW, em 1995 e 199
6, respectivamente.
Também em 1987 foi completada a rede básica de
subestações, com a entrada em funcionamento das
de S. Paulo e D. Maria e, no final do ano, os serviços
da empresa foram transferidos para o novo Edifício CEM,
contíguo à Central de Macau, situado na Estrada
D. Maria II.
Simbolicamente a CEM fazia assim um retorno às origens
ao transferir a sua
sede para o local onde tudo tinha começado, cerca de
80 anos atrás, isto é, onde, pela primeira vez
se começou a produzir energia eléctrica para a
cidade de Macau.
Pela primeira vez na história da CEM os resultados do
exercício de 1987 permitiram o pagamento de dividendos,
atraindo novos accionistas.
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