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O actual momento de sucesso é apenas o capítulo final de uma longa e atribulada história - a da concessão da produção de energia eléctrica -, que começa formalmente há quase um século, quando o Leal Senado e o cidadão francês Marius Bert assinaram o primeiro contrato para o fornecimento de energia eléctrica à cidade de Macau. Antes dessa data já havia no Território um serviço de iluminação pública que utilizava azeite e, mais tarde, petróleo, como combustíveis.


Primeira página de uma carta de F. Lyard, relacionada com a futura instalação de uma central eléctrica em Macau, 1903 Telegrama do Leal Senado à  Société Electrique d’Extrême-Orient

Foi em meados do século passado que o conceito de iluminação pública foi introduzido no quotidiano da cidade. Uma das iniciativas partiu do comendador macaense Lourenço Marques, que mandou colocar lanternas à frente do Leal Senado e do Palácio do Governo.

Em 1847, um édito do Leal Senado, convidava os habitantes da cidade, que ainda não tivessem candeeiros na frente das suas casas, a seguirem o exemplo dos que já tinham adoptado essa medida, lembrando-lhes as vantagens da iluminação pública.

Finalmente, uma portaria provincial estabeleceu e regulou a iluminação da cidade de Macau, abolindo-se ao mesmo tempo a bizarra postura que obrigava aos chineses que transitassem à noite, a transportarem consigo uma lanterna…
Mas a grande moda no final do século foi a aplicação da energia eléctrica à iluminação pública, tendo vários países adoptado esse sistema. Em Outubro de 1889 entrou em funcionamento a primeira central eléctrica de Xangai e, em Dezembro do ano seguinte, Hong Kong passou a ter iluminação por energia eléctrica fornecida pela Hong Kong Electric Company.

Entretanto, na passagem do século XIX para o século XX, assistia-se a tentativas de obtenção do exclusivo do serviço de iluminação pela electricidade. O documento mais antigo, relativo à iluminação por energia eléctrica em Macau, é uma carta datada de 28 de Abril de 1899, assinada por Hanz Ziegler e endereçada ao secretário do Governo, Bandeira de Lima. Muitos factores poderão ter contribuído para que esta iniciativa não tivesse seguimento, nomeadamente o facto de Bandeira de Lima ter deixado Macau no ano seguinte, aparentemente para fugir a um julgamento de um caso de corrupção de funcionários públicos, em que ele era um dos réus.

No que diz respeito à iluminação por energia eléctrica em Macau quem aparentemente ganhou a competição – em termos de países - foi a França, já que foram súbditos seus, ligados à Indochina, que ficaram com o monopólio de exploração daquele serviço. O primeiro contrato de fornecimento de energia eléctrica a Macau foi assinado entre o Leal Senado e o cidadão francês Marius Bert, engenheiro, residente em Haiphong, na Indochina. Nos termos do contrato, a concessão seria válida por 30 anos, sendo o concessionário responsável pelo fornecimento de energia eléctrica para iluminação pública e particular, abrangendo nisso toda a península, mas não as ilhas da Taipa e Coloane. O contrato permitia ainda ao concessionário que adaptasse ao uso da electricidade os lampiões de ferro fundido que estavam a ser utilizados na iluminação a petróleo.

 

 

Poste de iluminação pública a petróleo localizado em frente ao Templo de Lin - Fong, em 1890
 
Candeeiro na Rua da Felicidade, em 1900

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