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1847 – 1904

A concessão da produção de energia eléctrica teve início há mais de um século atrás, quando, em 1904, o Leal Senado e o cidadão Francês Marius Bert assinaram o primeiro contrato para o fornecimento de energia eléctrica à cidade de Macau. Antes dessa data já havia no território um serviço de iluminação pública que utilizava azeite e, mais tarde, petróleo, como combustíveis.

Poste de iluminação pública a petroleo localizado em frente ao Tempo de Lin-Fong, em 1890
Candeeiro na Rua da Felicidade, em 1900

Foi em meados do século XIX que o conceito de iluminação pública foi introduzido no quotidiano da cidade. Uma das iniciativas partiu do Macaense Comendador Lourenço Marques, que mandou colocar lanternas à frente do Leal Senado e do Palácio do Governo e em 1847 um édito do Leal Senado convidava os habitantes da cidade que ainda não tivessem candeeiros na frente das suas casas a seguirem o exemplo dos que já tinham adoptado essa medida, lembrando-lhes as vantagens da iluminação pública. Finalmente, uma portaria provincial estabeleceu e regulou a iluminação da cidade de Macau, abolindo-se ao mesmo tempo a bizarra postura que obrigava aos chineses que transitassem à noite a transportarem consigo uma lanterna…

Mas a grande moda no final do século XIX foi a aplicação da energia eléctrica à iluminação pública, tendo vários países adoptado esse sistema. Em Outubro de 1889 entrou em funcionamento a primeira central eléctrica de Xangai e, em Dezembro do ano seguinte, Hong Kong passou a ter iluminação por energia eléctrica fornecida pela HongKong Electric Company.


Carta de Hanz Ziegler endereçada ao Secretário do Governo, Bandeira de Lima, Abril 1899 Telegrama do Leal Senado à  Société Electrique d’Extrême-Orient

Entretanto, na passagem do século XIX para o século XX, assistia-se a tentativas de obtenção do exclusivo do serviço de iluminação pela electricidade. O documento mais antigo relativo à iluminação por energia eléctrica em Macau é uma carta datada de 28 de Abril de 1899, assinada por Hanz Ziegler e endereçada ao Secretário do Governo, Bandeira de Lima. Muitos factores poderão ter contribuído para que esta iniciativa não tivesse seguimento, nomeadamente o facto de Bandeira de Lima ter deixado Macau no ano seguinte, aparentemente para fugir a um julgamento de um caso de corrupção de funcionários públicos, em que ele era um dos réus.

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